COLUNA VERTICAL

"O Cristismo"

03 | 10 | 2017   23.32H
José Luís Seixas

O júbilo do CDS pelos resultados históricos alcançados pela sua líder no Município de Lisboa é inteiramente justificado. Porém, as eleições foram ontem e a realidade política não é estática. Os momentos de vitória são efémeros e é preciso ir um pouco mais além do elogio e tentar perceber se, onde e como estes se consolidam. Cristas introduziu factores diferenciadores no seu discurso. Tornou-o mais aberto e inclusivo. Soube agregar o centro e a direita atomizados, descontentes e sem razões de pertença ou, sequer, de simpatias partidárias. Captou independentes com legitimidades várias, desde a profissional à da intervenção comunitária. Distanciou-se do maniqueísmo da maioria pretérita e criou um discurso novo, sem estereótipos, solto e de fácil adesão. Aproximou-se das pessoas, falou com elas, deu-lhes atenção e não as utilizou numa lógica de rebanho proclamatório. Exibiu um sorriso aberto e franco e fez questão de se mostrar como mãe de família, como católica convicta, como mulher do seu tempo, sem ortodoxias desfasadas. Mas ganhou em grande medida porque soube aproveitar uma juventude nova, apetente à intervenção cívica, disponível para o combate sereno pelas causas justas. Que milita nos movimentos de igreja, que troca férias por acções organizadas de cooperação para o desenvolvimento em África e em Portugal, que organiza missões de apoio aos marginalizados, designadamente aos mais velhos. Que quer ser gente ajudando outra gente. Que é voluntária social fazendo o que pode em troca de calor humano e sorrisos de gratidão. Muita desta juventude, que como Pai conheço e na qual deposito tanta esperança, esteve com Assunção. Espero bem que a Presidente do CDS a saiba aproveitar para abrir as janelas das sedes partidárias e arejar um aparelho que, como todos os aparelhos partidários, ganhou mais em vícios do que em virtudes. Se assim for no CDS terá despontado um novo fenómeno, o “Cristismo”. Perdoem-me o neologismo e alguma apologia. Males da idade…!

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

© Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE