OPINIÃO

Um fanático não gosta de futebol

25 | 10 | 2017   23.02H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

A situação chegou a este ponto: ao ponto em que Fernando Gomes é como que obrigado a ir à Assembleia da República para falar do que se passa com o nosso futebol. Ou bem, com qualquer outra coisa, porque nisto há muito pouco futebol.

E o que é o “isto”? O facto de em 10 anos termos passado de 137 incidentes relacionados com adeptos para 2671. O último número, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol divulgou na Assembleia, é do ano passado.

Os árbitros são boa parte das vezes as vítimas. Ameaças são mais que muitas, algumas delas feitas diretamente para os telemóveis dos juízes. Ameaça-se as famílias, os filhos, e tudo por causa de um resultado de um jogo de futebol.

Nas últimas temporadas o aumento foi acentuado, tal como as multas aplicadas a dirigentes. Se há relação? É possível. É até bastante provável. Tal como o aumento da horas de transmissão televisiva dedicadas ao comentário futeboleiro. E tal como a facilidade que existe por estes dias em veicular mensagens de ódio, seja pelos meios de comunicação, seja pelas redes sociais, um megafone sem critério ou regras da frustração de muitos.

Os juízes, como já disse acima, têm sido as principais vítimas. E estão a preparar uma greve à Taça da Liga, que só envergonha e dá visibilidade negativa ao nosso futebol. Mas em breve a escalada de violência pode chegar com mais frequência aos estádios, aos adeptos.

O dia em que vamos ter medo de ir assistir a um jogo de futebol está aí ao virar da esquina. Isto no país que é campeão europeu de futebol. Lamentável.

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