OPINIÃO

Um adeus sentimental

08 | 11 | 2017   23.08H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

Às vezes é uma dor um pouco mais aguda, um cansaço que vem mais rápido do que estamos à espera: é assim que muita gente descobre que está a ficar velha. Eu também já tenho aquela dorzita aguda quando o tempo está para mudar. E cada vez que subo umas escadas o fôlego parece que quer ir embora. Mas sabem mesmo quando é que percebi que estava a ficar velha? Quando alguns dos meus heróis começaram a dizer adeus aos relvados.

Esta semana foi Pirlo. Verdade seja dita, já há muito que pouco sabíamos dele, lá pelos Estados Unidos, a jogar um futebol não muito exigente, mas complicado para quem já tantas lesões sofria. Mas ninguém vai recordar os anos de Pirlo nos Estados Unidos.

Toda a gente vai recordá-lo com a camisola do Milan, da Juventus, da seleção italiana. Os mais hardcore até vão recordá-lo ainda no Brescia, onde começou a mostrar ao Mundo aquele futebol de pantufas, que não faz barulho, que não tem força bruta, que era só bonito e suave.

Pirlo não rematava muito, mas quando rematava de longe, a bola não saía disparada. A bola flutuava, direita a um qualquer canto ao qual o guarda-redes não chegava. Mas aquilo que ele fazia melhor era dar pausa ao jogo, coisa que começa a rarear no futebol moderno, que se quer intenso, cheio de ritmo, sem um minuto para respirar.

Com Pirlo sim, respirava-se futebol, naquelas bolas que iam direitinhas para o jogador em melhores condições para a receber, nos passes redondinhos, no inesperado. Não há muitos como ele, sabe-se lá se vai haver mais. Só passaram uns dias e já tenho saudades.

Ainda bem que inventaram o YouTube. Lá serás eterno.

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