OPINIÃO

Professores, mestres e guias

21 | 11 | 2017   16.39H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

Por estes dias, os jornais e a opinião pública muito têm falado dos professores, que voltaram a mobilizar-se em greve na semana passada. Temo que a profissão de professor não seja devidamente valorizada no nosso país. Tomemos exemplos como os da Finlândia ou do Chile, em que só os melhores são escolhidos nas universidades para poderem dar aulas e em que as comunidades valorizam esta profissão, que é, aliás, muito bem paga. Infelizmente, em Portugal não é bem esta a realidade.

Aqueles que me conhecem sabem que valorizo a educação como uma prioridade, quer ao nível do Governo, quer ao nível da gestão municipal. Neste sentido, considero que os professores estão na linha da frente das nossas preocupações com a educação – a negligência para com a profissão docente refletir-se-á na educação das gerações futuras. Temos, por isso, de estabelecer um claro compromisso que passe por valorizar o professor como alguém que não só ensina como molda os comportamentos, as ações e as emoções dos nossos alunos. E o próprio professor também tem de fazer um esforço de auto-valorização e de assunção das suas responsabilidades sociais.

Como dizia George Steiner, os professores são os mestres e as aulas são verdadeiras lições na arte de ensinar e aprender. No famoso poema de Álvaro de Campos "Mestre, meu mestre querido!", encontramos o sentido desta relação exata entre mestre e discípulo: “Meu mestre e meu guia!" (...) "Vida da origem da minha inspiração".

Temos de restituir aos professores o lugar fundamental que merecem, não sendo, de todo, fácil exercer esta profissão no nosso país. Porque não é suficientemente bem paga, porque obriga os professores a deslocarem-se quilómetros sem fim para dar aulas, porque, no final de contas, precisa que lhe emprestemos a máxima dignidade.

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