OPINIÃO

E um pouco de futebol?

22 | 11 | 2017   23.27H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

É difícil acompanhar o futebol em Portugal nas últimas semanas porque, a bem da verdade, futebol não tem havido muito. Falam umas pessoas que se dizem funcionárias de clubes (e infelizmente são) sobre mails e árbitros e rivais, mas de futebol não tenho ouvido. Há até considerações e trocas de palavras entre presidentes de clubes e comentadores, em termos bonitos e cheios de classe e há programas de televisão que prometem “revelações” e que depois são só uma imensa mão cheia de nada.

Com tudo isto, há quem ainda se admire e receba com surpresa a notícia de que os árbitros portugueses se tenham mostrado indisponíveis para os jogos da próxima jornada, alegando falta de condições psicológicas. Não me parece que os árbitros tenham medo do ambiente que envolve o nosso futebol porque já estão habituados a tudo e mais alguma coisa: desde ameaças aos filhos até a pichagens nas portas dos seus negócios. Só devem estar fartos de tanta rebaldaria, de tanta falta de noção, num processo em que Benfica, Sporting e FC Porto, ou melhor, os maiores responsáveis de Benfica, Sporting e FC Porto, têm toda a responsabilidade, porque em nada estão preocupados em deitar água na fervura: preferem, pelo contrário, lançar ainda mais achas à fogueira.

Seria de facto bom que a greve dos árbitros fosse avante, porque já se percebeu que as multas aos dirigentes fazem tanto efeito quanto o melhoral. Uma semana, duas, três sem bola a rolar nos estádios e talvez quem manda percebesse o que é de facto mais importante. Isso mesmo, não são eles nem as suas guerrinhas nem ambição desmedida. É mesmo o futebol.

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