INSTANTES

A vida que se evapora

28 | 11 | 2017   00.16H
Luisa Castel-Branco

O tempo passa tão depressa. Cada ano parece desaparecer sem deixar rasto. Dezembro chega e olhamos espantados para as decorações de Natal.

Quando somos novos e temos todo o tempo do mundo na palma das nossas mãos, ouvimos os adultos avisarem, vezes sem conta, que vamos ter saudades desta fase da nossa vida.

Mas qual quê! Nós danados para não ter proibições, limites, obedecer a ordens e ter que esperar, ah! O tempo demora tanto a passar e a nossa liberdade e a nossa felicidade está lá tão longe!

Até que um dia entramos no mundo dos adultos para nunca mais sair. E descobrimos que é como uma prisão sem grades, e que as coisas boas agora desaparecem num instante e sobra o peso da realidade.

E é exatamente a esse peso que vamos passar a vida a tentar fugir. Da idade. Das teias que nos agarram aos outros e que raramente correspondem aquilo que sonhamos.

Até que chegados à fase da vida em que já esperamos muito pouco, já vimos partir tanta gente, descobrimos que afinal a vida evapora-se por entre os dedos, as memórias e as lágrimas.

© Destak

14 comentários

  • DA DITADURA NACIONAL AO ESTADO NOVO---------------------------------------------- ---------------------------------Da Ditadura Nacional ao Estado Novo------------------ União Nacional------------------------------- Estado Novo----------------------------------- Ideologia---------------------------------------- Movimentos político-------------------------- Bases jurídicas------------------------------ Órgãos e instituições----------------------- Obras e realizações-------------------------- Líderes----------------------------------------- História----------------------------------------- --- -------------------------------------------------- ---- Consolidada a vitória do golpe, as forças vitoriosas, comandadas pelo general Gomes da Costa montado no seu cavalo, desfilam a 6 de Junho de 1926 pela Avenida da Liberdade, em Lisboa. Recebem então o aplauso da esmagadora maioria do lisboetas, cansados da instabilidade e traumatizados pelos constantes golpes e contra-golpes e pelos atentados terroristas que ao longo de toda a década se tinham sucedido a um ritmo alucinante. Era mais uma vez a recorrente regeneração nacional que se perfilhava no horizonte qual luz ao fim do túnel em que a desacreditada Primeira República Portuguesa desembocara. Em consonância com os tempos que se viviam na Europa, o novo poder assumiu-se como antiparlamentar, atribuindo as culpas do caos que se instalara no país à política partidária e ao jogo do parlamentarismo. Assim, assume-se como uma ditadura militar, que em pouco tempo se passou, em desafio claro ao parlamentarismo democrático, a autodenominar a Ditadura Nacional, encarnando um regime militar progressivamente mais autoritário. Numa das suas primeiras medidas, o general Gomes da Costa dissolveu o parlamento, instituição então muito vilipendiada e acusada de ser principal causador da instabilidade política, e suspendeu as liberdades políticas e individuais. No entanto, a nova ditadura era instável porque o movimento militar não tinha projecto político definido e não conseguiu resolver os problemas económicos. Para resolver a situação económico-financeira, o novo regime, em 1928, convidou o professor coimbrão António de Oliveira Salazar para assumir as funções de Ministro das Finanças. Salazar passou a anunciar um milagre financeiro, com o equilíbrio das finanças públicas e estabilidade do Escudo português, ganhando um progressivo domínio sobre a estrutura política, e depois militar, do novo regime. Em consequência, foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros (Primeiro-Ministro), em 1932. Com esta nomeação, em linha com o crescente peso do nacionalismo e do fascismo na Europa, o regime foi-se estabilizando e ganhando um pendor cada vez mais autoritário e repressivo, organizando-se como um Estado corporativista. Foi assim que iniciado como mais um levantamento no seio da Primeira República Portuguesa, o golpe de 28 de Maio de 1926 veio originar o Estado Novo, um sistema político autoritário, antidemoliberal e anticomunista, nacionalista e corporativista, no contexto de uma lógica formalmente republicana que era concretizada, no dizer do manifesto da União Nacional de 1930, na ideia de uma República Nacional e Corporativa. A transição completou-se com a aprovação da Constituição de 1933, a qual institucionalizou o Estado Novo, o herdeiro natural de Revolução Nacional, nome pelo qual o golpe de Estado do 28 de Maio de 1926 foi rebaptizado, regime que se manteria com poucas mudanças até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974.
    RIC | 28.05.2018 | 16.06Hdenunciar comentário
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  • Obrigado pelo papel higiénico.
    Pois, pois J. Pimenta! A dinâmica de sempre. | 07.12.2017 | 23.08Hdenunciar comentário
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  • Já ninguém liga à cota...
    Kizumbino | 07.12.2017 | 16.31Hdenunciar comentário
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  • Também acho.
    Chinabluedopintor | 30.11.2017 | 21.19Hdenunciar comentário
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  • ....simplesmente......divinal.....!!!!
    HOSTING | 30.11.2017 | 20.19Hdenunciar comentário
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  • Boa noite, Hosting! Não li o último livro dela nem tão pouco nenhum, o que é uma falha minha. Mas gosto muito de escritos esparsos e dos seus poemas, que vou lendo também. Tenho tantos livros para ler ainda, espalhados pela casa, que me falta o tempo... Vou citá-la aqui, se me permite. “O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.”
    Chinabluedopintor | 30.11.2017 | 00.28Hdenunciar comentário
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  • É verdade caro CHINABLUE, grande escritora. Saiu da Ucrânia para o Brasil ainda criança. Tive o prazer de ler o seu ultimo livro !
    HOSTING | 29.11.2017 | 16.22Hdenunciar comentário
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  • Ter alma de artista com Clarice Lispector...que lindíssima alma!
    Chinabluedopintor | 29.11.2017 | 10.10Hdenunciar comentário
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  • Cá para mim, as saudades matam-se, sempre que para tanto haja oportunidade. Não vale a pena quedarmo-nos no silêncio e ficar com elas a dilacerarem o peito, apesar de até o tempo de saudades ser um tempo poético...
    Chinabluedopintor | 28.11.2017 | 23.07Hdenunciar comentário
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  • Saudades,sinto Saudades....já dizia o Poeta....
    RODAVLAS | 28.11.2017 | 22.01Hdenunciar comentário
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  • Se a "malguinha" . . . ! Estiver sempre "asseada" . . . ! A vida é bela . . . ! ! !
    Alexandre Barreira | 28.11.2017 | 18.15Hdenunciar comentário
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  • Ó Luisa, grande novidade. Até parece que descobriu a pólvora sem fumo !
    DOCTORALICA | 28.11.2017 | 14.41Hdenunciar comentário
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  • Tempo de Poesia - António Gedeão Tempo de Poesia Todo o tempo é de poesia. Desde a névoa da manhã à névoa do outro dia. Desde a quentura do ventre à frigidez da agonia. Todo o tempo é de poesia. Entre bombas que deflagram. Corolas que desdobram. Corpos que em sangue soçobram. Vidas que a amar se consagram. Sob a cúpula sombria das mãos que pedem vingança. Sob o arco da aliança da celeste alegoria. Todo o tempo é de poesia. Desde a arrumação do caos à confusão da harmonia. António Gedeão
    Chinabluedopintor | 28.11.2017 | 13.43Hdenunciar comentário
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  • O tempo, ah o tempo! Não sou assim tão pessimista relativamente à passagem do tempo. Também me lembro claro, desses tempos em que queria acelerar o tempo. Mas ele acelerou-se por si, sem precisar da ajuda da minha vontade, e para mim não é nenhuma "prisão sem grades", nem as coisas boas desapareceram sobre o peso da idade. Esse tempo, que muitas vezes foi padrasto, também foi e é pai, que ainda não perdi o encantamento pela vida e pela sua poesia.
    Chinabluedopintor | 28.11.2017 | 10.12Hdenunciar comentário
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