HORA BOLAS

Funeral e ressurreição

03 | 12 | 2017   21.05H
João Malheiro

Há cerca de dez dias, o destino parecia traçado e até de forma inapelável. Derrotado, na Rússia, sem retruque, penhorada a trajetória europeia, o tetracampeão nacional entregava-se à intricada tarefa doméstica, com um do seus mais diretos competidores, o tetradesesperado FC Porto, a sugerir engenho bastante para passar uma certidão de ex-candidato ao penta àquele que é o seu infesto de estimação.

Dizia-se que a esquadra azul respirava saúde, estimulada por exibições, golos e mesmo e-mails, esses que desde o defeso colocaram o FC Porto na ofensiva e o Benfica na galeata, invertendo a ordem competitiva. Dizia-se que, em duas jornadas apenas, no horizonte vermelho, oito pontos de diferença, dados como caucionados, valeriam um pré-Natal carregado de chagas e um futuro imediato de muitos espasmos.

Acontece que, frente ao Desportivo das Aves, os portistas voaram tão baixo que se estatelaram num inoportuno empate. De seguida, com velório anunciado ou, no mínimo, desejado, outra comprometedora igualdade e funeral protraído. Até houve ressurreição do campeão e desânimo com lágrimas do suposto exterminador. Que tem razões de protesto dos homens que, ironicamente, costumam trajar de luto? Até tem, mas muito mais ainda de avaliar, autocriticamente, o excesso de fidúcia, de petulância, de soberba.

Na verdade, este Benfica não é tão débil quanto o pintaram, na verdade este FC Porto não é tão soberano quanto o maquilharam. Da mesma maneira que o atual Sporting está longe de ser débil, mas também longe de ser soberano. Conclusão? Até ao final da corrida, outra verdade, a maior das verdades, desaconselha palpites de óbitos prematuros ou de conquistas apressadas. Não é seguro quem dispõe de melhor artilharia, é seguro que as munições, diferentes que sejam, se equivalem.

© Destak
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