HORA BOLAS

Golo da Pátria

14 | 01 | 2018   20.15H
João Malheiro

Já lá vão uns anos, mais do que desejava e menos do que desejava. Como assim? Mais, porque o tempo corre de forma tão alucinante que, no mínimo, os desgostos empatam com os gostos; menos, porque há pessoas que não devíamos ter conhecido na idade do critério, antes na idade do mistério.

Falo de um grande amigo, falo num futebolista espantoso, até assombroso. Falo de um homem vertical, falo num cidadão solidário, até doutrinário. Falo do Carlos Manuel, do Carlão da Moita, que descarregou vermelho-bom na Luz, até verde-bom em Alvalade, também xadrez-bom no Bessa. Não menos importante, descarregou, com amor incontido, muito Portugal nos mais diferentes cenários. E aquele golo esplêndido na Alemanha, foi ou não foi o mais patriótico pontapé da história lusitana da bola, frente a uma selecção germânica que não perdia há décadas no seu território? José Torres, o Bom Gigante, pedia que o deixassem sonhar, Carlos Manuel ofereceu-lhe o sonho, ofereceu o sonho a todos nós. Com a descrença no improvável, com a crença no afável e memorável.

O Carlos faz esta semana 60 anos. Vai comemorar com mais de duas centenas de amigos no restaurante nobre do Estádio da Luz. Eu vou lá estar com aquele abraço que, para mim, não tem preço, mas tanto, tanto apreço. Companheiro de muitos anos, figura singular no panorama da bola indígena, defensor acérrimo do futebol elegante e sério, dentro e fora dos recintos desportivos, sinto um enorme orgulho em poder tê-lo na posição cimeira da minha vasta legião de amigos.

Uma declaração imperativa: obrigado Carlos Manuel, obrigado por tantos momentos de conivência linda e preciosa por uma coisa redonda que nos estimula e que tu trataste e tratas com a paixão dos teimosos. Eu preciso de ti, o futebol precisa de ti, Portugal precisa de ti.

© Destak
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