OPINIÃO

Populismo à direita

17 | 01 | 2018   22.39H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Uma das mensagens de Rui Rio, no seu discurso de vitória nas eleições para a liderança do PSD, foi a rejeição do populismo, na forma de fazer política e oposição. Veremos, pois, se Rui Rio vai estar à altura das suas palavras e se consegue que o seu partido siga essa orientação. Este compromisso pareceu-me, também, um distanciamento face à forma e ao estilo de fazer política da líder do CDS. Assunção Cristas propõe o que sente que é popular, independentemente de ser coerente com o seu passado, ou até mesmo com outras propostas que apresenta. O CDS consegue, por exemplo, propor uma enorme expansão do Metro de Lisboa, tentando agradar a todos em todo o lado, sabendo que o país não tem, ainda, condições financeiras que lhe permita esse nível de investimento (a não ser que concentrasse todos os recursos disponíveis em Lisboa!) e sabendo que o Governo anterior, do qual fazia parte, tinha aprovado uma concessão do Metro a privados que não previa nada do que agora sugerem. E se a expansão do Metro poderia ser entendida como uma proposta para contrariar a utilização do transporte individual, no caso do CDS isso não é tido em conta, porque acham compatível essa proposta com outras que incentivam a utilização do veículo individual, dentro da cidade de Lisboa, permitindo que cada lisboeta estacione gratuitamente em duas zonas – casa e trabalho. O CDS tem vindo a afastar-se da política construtiva, promovendo apenas uma política de aproveitamento emocional do elementar descontentamento. E, assim, continuaremos a ver uma líder partidária a destacar um qualquer caixote do lixo. Rui Rio decidiu distanciar-se deste caminho. Vai ser interessante analisar quem afinal lidera a direita portuguesa e que estilo vai vingar.
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