INSTANTES

A vida passa

29 | 01 | 2018   23.59H
Luisa Castel-Branco

De repente, sem aviso, a vida passa por nós e não damos por isso, não damos por nada até ao dia em que o corpo nos pede meças. O tempo passa a correr nuns dias e arrasta-se nos outros, como se brincasse connosco. E nós, desenfreadamente a cumprir as obrigações, os horários, as necessidades dos filhos e depois dos netos e o rodopio é tão grande que me vem à cabeça o provérbio popular: 1 de agosto 1 de janeiro!

Era isso que eu ouvia quando era catraia e não percebia o que diziam as gentes mas agora tudo faz sentido. De um salto passamos da época de férias para a árvore de Natal, e pelo meio parece que tudo desapareceu na azafama dos dias. Os amores e os ódios são de pouca duração.

Hoje mais do que nunca duram o tempo exato em que algo é notícia no mundo virtual, nesse mundo paralelo onde se abriu a porta a uma vida que não é a nossa mas passou a condicionar a de todos. As notícias, todas elas, que demoravam a chegar aparecem agora passados poucos segundos, e qualquer um pode tirar e publicar uma foto, divulgar um acontecimento, projetá-lo para além fronteiras.

E onde começa e termina a verdade? Isso deixou de interessar. A ideia que dantes norteava quem nos trazia a informação, de que os factos têm que ser confirmados, ouvindo todas as partes envolvidas, tudo isso desapareceu. É o progresso, dizem-me. Mas o progresso não significa algo de melhor?

Será que todos estes avanços que a tecnologia nos trouxe, a medicina, enfim, a lista é infinita, será que nos conduzem a uma felicidade maior? A uma vida mais calma? A um maior respeito pelos outros e pela natureza, que quer queiramos ou não este é o mundo que vamos deixar aos nossos filhos e netos?

As pessoas estão, assustadoramente, cheias de certezas. As conversas, ou a arte de trocar ideias desapareceu para dar lugar a um politicamente correto que se assemelha cada vez mais a um policiamento do pensamento, dos atos, de tudo o que o outro pensa de diferente.

Para onde vamos? O que será o nosso mundo daqui a dez, vinte anos? Se quisermos ser verdadeiros, temos que reconhecer que todas estas e outras transformações não significam nada perante a enorme ameaça em que vivemos.

Sim, podemos gastar os nossos dias a discutir o que quisermos mas basta um dos loucos que mandam no mundo carregar no tal botão e... o que restará de nós? Era por acaso imaginavel há poucos anos estarem todos os seres vivos deste planeta dependentes de dois homens que se gabam do seu poderia atómico? Como duas crianças que sim, deveriam levar duas estaladas na cara e serem colocados num canto da sala até ganharem juizo!

A vida passa a correr sem nos avisar. E sempre deve ter sido assim, digo eu. A diferença é que agora nem quero imaginar o que será o amanhã dos meus netos, e por isso mesmo olho para trás e olho para a frente e só encontro o medo.

© Destak

1 comentário

  • Oh Luisa, o que se passa ? Oh mulher, o que é que vai nessa cabecinha ? Tenha muito cuidado porque esses sintomas são perigosos e normalmente costumam aparecer três dias antes de "pifar" !
    SINOPSE | 02.02.2018 | 20.03Hdenunciar comentário
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