OPINIÃO

Mobilidade metropolitana

21 | 02 | 2018   23.23H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Temos hoje um grande desafio na Área Metropolitana de Lisboa (AML) – mais de metade das viagens diárias são hoje realizadas em veículo automóvel, enquanto que em muitas regiões europeias de referência este valor não ultrapassa o 1/3. A mobilidade tem um impacto direto na qualidade de vida das pessoas e em vários domínios: económico, social e ambiental. Perder, diariamente, horas no trânsito afeta a saúde, retira-nos horas de convívio familiar e é um factor de desigualdade no acesso ao trabalho e no sucesso académico ou profissional. No entanto, só será possível transitarmos do transporte individual para o transporte público coletivo se garantimos que o transporte público é confiável, cómodo e acessível. Isto significa que o transporte público tradicional tem de ser reinventado, complementado com os novos modos de transporte e com as novas tecnologias. As mudanças no sistema de mobilidade na AML são hoje uma urgência e uma prioridade. É, por isso, fundamental que o Conselho Metropolitano lidere esta necessária transformação, com uma visão de proximidade e conjugando os vários interesses locais. Deve-se assumir a necessidade da simplificação tarifária, convergindo para uma tarifa única metropolitana, uma tarifa municipal e uma tarifa ocasional. Deve-se, igualmente, consensualizar entre os municípios as prioridades de investimento e encontrar formas de financiamento, através do novo quadro de financiamento comunitário ou da consignação de receitas de multas ou de impostos sobre os produtos petrolíferos, que permita fontes de receita adicionais aos orçamentos municipais para financiamento da operação do sistema. Existe uma enorme oportunidade para melhorar, de forma significativa, a mobilidade metropolitana e não a podemos desperdiçar.
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