OPINIÃO

Uma discussão por dois segundos

21 | 02 | 2018   23.24H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

Na segunda-feira escrevi sobre o Tondela-Sporting. Terça-feira, foi dia de levar na cabeça. Através do Twitter e do Facebook, li críticas atrás de críticas por dizer, imagine-se, que o golo do Sporting foi aos 99’, na medida em que, tal como a esmagadora maioria dos jornalistas que cobriram o jogo, vi o golo do Sporting a acontecer aos 98 minutos e 2 segundos. O que, de acordo com as regras do tempo, que não fui eu que inventei, já constitui minuto 99, tal como um golo aos 32 segundo vai surgir na ficha de jogo como um golo marcado ao minuto 1.

Tentei explicar isso, uma, duas vezes. Percebi que não valia a pena. O facto de considerar o golo ao minuto 99 rapidamente se transformou numa falta de seriedade do meu trabalho, no meu anti-sportinguismo, no anti-sportinguismo de toda a imprensa, sabe-se lá mais o quê. Mais à noite, àquela hora em que a maior parte das pessoas já descansam, para enfrentarem frescas o dia seguinte, recebo um mail de alguém que se deu ao trabalho de tirar vários frames do resumo oficial do encontro para me explicar, como se eu fosse muito burra, que o golo não aconteceu aos 99’, porque no instante em que a bola passou a linha de bolo, o relógio estava precisamente nos 98.00. Assim uma espécie de VAR do tempo, estão a ver?

Não sei se o clima que se vive no nosso futebol ou se as recentes declarações de Bruno de Carvalho que visaram a comunicação social têm algo que ver com isto. Mas sei que ajuda um bocadinho a formar uma mentalidade em que se perdem preciosos minutos de um dia para ganhar uma discussão com um jornalista por causa de 2 segundos. Porque estamos a discutir 2 segundos. E isso é que me preocupa verdadeiramente.

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