HORA BOLAS

O que é nacional é… treinador

25 | 02 | 2018   23.40H
João Malheiro

O debate tem anos, muitos anos. Até o Benfica, num conservadorismo que já poucos recordam, terá perdido a hegemonia do futebol nacional, na final da década de 70, graças à teimosia de não incorporar jogadores estrangeiros nas suas fileiras. Pouco tempo antes, Yazalde (no Sporting) e Cubillas (no FC Porto) prenunciavam um novo paradigma.

Seguiram-se episódios marcantes, descontrolados e até jocosos numa primeira fase, com naturalizações absurdas, duplas nacionalidades, abertura sem restrições à contratação de brasileiros. A invasão, mais tarde recolhendo benefícios da legislação internacional, transformou a competição portuguesa numa miscelânea de nações, à qual até o Benfica irresistiu.

Ao mesmo tempo, o culto do treinador estrangeiro quase não admitia réplica, sobretudo no comando dos principais emblemas da praça doméstica. Artur Jorge esteve na génese da mudança, José Mourinho deu-lhe irreversível substância. Enquanto isso, os melhores executantes, na mudança de padrão, passaram a enveredar por percursos além- fronteiras, num êxodo que nos fez privar dos melhores.

Ao cabo deste trajeto, qual é o maior sinal distintivo? De forma irrecusável, o ascenso dos técnicos nativos ao patamar superior, que o mesmo é dizer à liderança de Benfica, FC Porto e Sporting, mas também dos clubes que se seguem na crónica hierarquia a que nos acostumamos.

Por isso é que Rui Vitória, Sérgio Conceição e Jorge Jesus, na moldura actual, prevalecem. Por isso é que José Mourinho, Carlos Queiroz, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca ou Marco Silva, entre outros, averbam encómios em diferentes paragens. Por isso é que para além de uma individualidade de nome Cristiano Ronaldo, o futebol lusitano tem um coletivo de treinadores que nos concede, prazenteiramente, universalidade.

© Destak
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