OPINIÃO

Mudança de paradigma

01 | 03 | 2018   00.07H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
A decisão desta semana de um Tribunal Administrativo alemão, de permitir que as cidades, comunidades ou estados possam proibir a entrada de veículos a diesel em certas zonas, devido a queixas relativas a excesso de poluição atmosférica, veio criar ainda maior pressão e necessidade de mudança no paradigma da circulação automóvel, assente em viaturas com combustíveis fósseis. Esta decisão decorre de processos em Estugarda e Düsseldorf, porque ambas as cidades registavam níveis de poluição acima do que é permitido na União Europeia, num país onde a indústria automóvel tem uma importância económica (no emprego e nas exportações) extraordinária. Cidades como Madrid e Atenas já assumiram que em 2025 querem impedir o acesso de veículos a diesel; países como a Noruega assumiram a proibição da venda de novos veículos a diesel e gasolina também em 2025 e Londres definiu esse objetivo para 2040. As restrições à circulação automóvel de viaturas a diesel nas cidades e a promoção de viaturas elétricas é um imperativo. As alterações climáticas, a contenção do aumento da temperatura e as consequências da poluição na saúde das pessoas exigirão respostas mais efetivas, que desviem a circulação para o transporte coletivo e que imponham a circulação de viaturas eléctricas. É um enorme desafio para a indústria, que terá de dar resposta rápida ao transporte ligeiro e pesado, pois só agora se inicia a produção e comercialização de viaturas elétricas para transportes pesados com alguma autonomia, determinantes na logística de uma cidade e frequentemente os mais poluentes. Aos poucos, todas as organizações e empresas terão de ir substituindo frotas e adaptar rotinas às autonomias e perfis de carregamento elétrico. Esta mudança não pára, nem volta para trás.
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