HORA BOLAS

Futebol e agiotas

04 | 03 | 2018   18.14H
João Malheiro

António Simões, o mais jovem campeão da Europa de sempre, glória do seu clube e da Seleção, hoje com o reconhecido estatuto de senador da bola, disse “o Benfica sou eu”. Disse e disse bem. Como poderiam ter dito Eusébio, Coluna, Toni, agora Jonas. Disse e disse bem. Disse sem qualquer impulso delirante ou egocêntrico. Disse e disse bem. A declaração, desde logo, deve ser contextualizada. Simões insurgia-se, insurgia-se e bem, contra aqueles que, em nome do Benfica, acumulam disparates com a cumplicidade de uma Comunicação Social mais preocupada com audiências do que com pedagogia, com classe, com charme, com elevação.

Joaquim Evangelista, na última semana, numa sessão pública, disse “o futebol somos nós” . Disse e disse bem. O presidente do Sindicato dos Jogadores, por ocasião da formação de um Conselho de Veteranos, novo e importante órgão consultivo daquela estrutura, também não foi delirante ou egocêntrico. Disse e disse bem. Estava na presença, fui testemunha privilegiada, do próprio António Simões (que vai presidir ao novo organismo), do Hilário, do Eurico Gomes, do Carlos Manuel, do Paulo Futre, do João Vieira Pinto, do Beto, do Jorge Andrade, do Hugo Viana, do Nuno Gomes, do Simão Sabrosa, da Carla Couto, a melhor futebolista portuguesa de todos os tempos.

“O futebol somos nós”, poderia dizer José Mourinho. Não disse, mas tenho a certeza que o diria. Logo secundado por Fernando Santos, Sérgio Conceição, Rui Vitória, Jorge Jesus, Artur Jorge, Toni, Jesualdo Ferreira, Carlos Queiroz, Paulo Fonseca, Marco Silva, Vítor Oliveira, tantos e tantos outros. Diria num exercício delirante e egocêntrico? Claro que não.

O futebol é dos jogadores e dos treinadores. O resto são, salvo raras exceções, personagens execráveis de “Big Brothers” ou “Casas dos Segredos”.

© Destak
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