Um grande guarda-redes

07 | 03 | 2018   19.07H
José Luís Seixas
Buffon é um nome imperecível da história do futebol deste último lustro. Um guarda-redes excepcional e um profissional exemplar. Porém, acima dos seus feitos na defesa das balizas da sua Juventus ou da selecção italiana ressalta a emocionada mensagem que quis deixar à filha de dois anos do seu colega de profissão, Astori, falecido há dias, a ele se dirigindo na primeira pessoa do singular: “Eras a melhor expressão de um mundo passado, que valorizava a elegância, a educação e o respeito pelo próximo”. Na verdade, o “mundo passado” a que Buffon se referiu é um mundo que claudicou perante a esfinge do “novo homem europeu” feito de egoísmo e professando um relativismo moral que assusta. O “mundo passado” de que fala Buffon é, pois, uma constatação e um presságio. Retrata um tempo que aparenta ter acabado e sinaliza um tempo novo feito da ressurreição do “homem velho” refém dos seus próprios vícios e mergulhado na lama do seu passado. Na verdade, a Europa parece caminhar para o precipício. Todas as análises e prognoses foram já feitas vezes sem conta constituindo perigosos lugares comuns. Perigosos porque desvalorizados de tantas vezes repetidos. O certo é que de eleição para eleição esse novo arquétipo social e político, fechado em si próprio, nacionalista, xenófobo, insolidário e hedonista, cresce e se afirma. Este novo mundo que sucede ao “mundo passado” de Buffon é um mundo que a História retrata vezes sem conta e sempre com lágrimas e sangue! O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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