HORA BOLAS

A decisão de Conceição

18 | 03 | 2018   19.47H
João Malheiro

O imprevisto aconteceu. Em Paços de Ferreira, o FC Porto baqueou perante a turma local, que seguia na zona temerária da pauta classificativa. O líder da Liga, a nível doméstico, tinha um registo imaculado, ao ponto de ignorar a tormenta de uma derrota sequer.

Como é da praxe no futebol nacional, sendo que o FC Porto é talvez o exemplo mais concludente, sobretudo nos anos recentes, havia que encontrar uma explicação para o revés. Claro que a argumentação não contemplou uma penalidade desperdiçada, da mesma forma que ignorou um desempenho medíocre, nada consentâneo com a equipa que tem dado provas de superioridade perante sucessivos opositores.

Sérgio Conceição, concluída a contenda, deixou o seu homólogo pacense de mão estendida, recusando o cumprimento, numa manifestação antidesportiva, atentatória dos valores éticos que devem pautar relações entre parceiros do mesmo ofício. O Paços de Ferreira privilegiou o antijogo foi a explicação para uma atitude que, por sua vez, privilegiou a má educação.

O talentoso técnico do FC Porto teve razão na crítica, mas perdeu-a com a sua postura deselegante. Só? Também com o desconhecimento da realidade do nosso futebol. Não é por acaso que Benfica, FC Porto e Sporting hegemonizam a competição em Portugal. A diferença de recursos, valores e apoios é abismal. Será assim tão ilegítimo que uma equipa menos cotada recorre a alguns artifícios, a manhas ou artimanhas, para travar o poderio dos três colossos da praça? Não é um comportamento recorrente? Não é a nossa cultura enraizada? Quanto muito pode e deve exigir-se aos árbitros mais tempo nas compensações.

Até porque já jogou e orientou clubes de menor grandeza, Sérgio Conceição tem de saber que o desencanto resulta mais de imperícia própria do que de astúcia alheia.

© Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE