OPINIÃO

Um campeão tão improvável quanto justo

02 | 05 | 2018   22.34H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

Falta um ponto, assim que qualquer outra coisa que não seja o FC Porto acabar esta semana como campeão nacional será apenas fruto de uma conjugação de acontecimentos altamente improváveis. E é difícil não olhar para os dragões como justos vencedores, precisamente porque eles próprios serão campeões ultrapassando uma série de acontecimentos altamente improváveis.

Volto agora atrás e recordo-me do ânimo de Sérgio Conceição no início da época, quando percebeu que dinheiro para gastar não haveria e que teria de trabalhar com o plantel deixado por Nuno Espírito Santo mais aqueles que voltavam de empréstimos. E o ânimo era mais ou menos este: as condições são difíceis, mas vamos tentar. E aqui se viu o papel de um treinador, antes de mais, fora de campo. Aboubakar, Marega e Ricardo voltaram para serem decisivos. E recuperando outros que estavam no plantel, dando-lhes uma força qualquer que vai para lá das instruções táticas, o certo é que o FC Porto passou a ser um coletivo temível. É verdade que em tempo de lesões (Soares e, principalmente, Marega), o FC Porto tremeu, mas nunca caiu. Quando baixou ao 2.º lugar, respondeu com uma vitória na Luz. Quando não deu para jogar bonito, jogou-se na raça, sempre aproveitando ao milímetro um plantel curto, mas muito sólido e muito bem trabalhado.

E é por isso que este título à espera de acontecer é muito obra e graça de Sérgio Conceição, de quem tantos desconfiavam (eu, por exemplo), mas que respondeu com seriedade, profissionalismo e uma boa dose de boa conversa de futebol, coisa que começa a rarear neste retângulo. E, por isso, obrigada.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE