HORA BOLAS

Mais azul que sul

07 | 05 | 2018   00.31H
João Malheiro

No trajeto matinal de domingo, ainda que curto, apenas de casa ao café, não houve quem deixasse de me questionar. “O FC Porto é um campeão justo?”. Respondi afirmativamente. “O Benfica merecia ganhar ao Sporting?”. Respondi afirmativamente. “A época do Sporting é positiva, caso fique em segundo lugar e vença a Taça de Portugal?”. Respondi afirmativamente.

As asserções nada tiveram de hipocrisia ou de impostura. O FC Porto, naquele que poderia ser o ano do naufrágio de consequências futuras inimagináveis, intervencionado que estava pela UEFA, quebrou a hegemonia benfiquista, muito por força de uma atmosfera garantida pela retoma de valores que foram apetecível património do clube durante décadas.

O Benfica, melhor que o Sporting no confronto direto (Luz e Alvalade) pagou o preço do deslumbramento, secundarizando a valia da equipa e subestimando os seus principais oponentes. Some-se uma desastrosa política de comunicação, a roçar inqualificável amadorismo, perante a mais colossal campanha adversária de que há memória. Uma injustiça, uma ofensa mesmo para a maior massa adepta que Portugal conhece.

O Sporting, malgrado episódios trágico-cómicos que poderiam ter redundado numa brutal fatalidade, ainda que não muito convincente, triunfou na Taça da Liga, tem tudo para vencer a Taça de Portugal e também tem tudo para uma presença milionária na próxima Champions. Este Sporting, versão 2017/2018, é um caso anómalo e, claro, irrepetível.

Deu azul, algum verde, pouco vermelho. Recordo uma conversa que tive, há quase um ano, na companhia dos meus grandes amigos Simões e Toni, com Marcelo Rebelo de Sousa. Se o conteúdo é privado, ainda que tal não nos fosse solicitado, o Presidente da República não é que tenha acertado, mas também não é que tenha de todo desacertado.

© Destak
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