OPINIÃO

Ofícios no coração do Bairro Alto

09 | 05 | 2018   17.04H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Há projetos de enorme dimensão pelo seu significado e impacto e não necessariamente pela sua dimensão física ou financeira. Esta semana irá reabrir o Mercado do Bairro Alto, um pequeno espaço que estava desativado há alguns anos no coração de um dos bairros mais antigos da cidade. Não voltará a ser um mercado tradicional, mas renascerá como o Mercado de Ofícios do Bairro Alto – um espaço de promoção, divulgação, defesa e transmissão das artes e ofícios, uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia da Misericórdia, a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Teremos aqui as Oficinas Criativas da FRESS, onde qualquer um pode aprender técnicas como marcenaria, talha, conservação e restauro; cinzelagem, serralharia, latoaria e joalharia; encadernação e gravura; cerâmica e azulejo; tecelagem e passamanaria; douramento e pintura decorativa. E dois dias por semana estará aberto, em regime de OpenDay, com acesso gratuito aos equipamentos especializados, a todos que querem experimentar uma técnica pela primeira vez, aperfeiçoar os seus protótipos ou criar um objecto de design original. Será também a nova Casa Maciel, a histórica Latoeira da cidade, que desta forma poderá continuar a sua atividade económica e manter vivo este ofício, garantindo a passagem de conhecimento do seu mestre. Num momento em que se fala da importância da introdução de tecnologia na inovação dos produtos, este projeto justifica-se mais do que nunca. A inovação passa, também, pela introdução das técnicas mais antigas no design e na criação, acrescentando valor e diferenciação a uma economia cada vez mais padronizada. E é a partir do Bairro Alto que vamos fortalecer a comunidade de criadores de Lisboa.
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