HORA BOLAS

A bola é nossa

13 | 05 | 2018   15.49H
João Malheiro

Foi a Expo 98. Ia ser um desastre. Lembram-se? Revelou-se um sucesso estrondoso. Foi o Euro 20004. Ia ser um desastre. Lembram-se? Revelou-se um sucesso estrondoso. Ia ser o recente Festival da Eurovisão. Lembram-se? Revelou-se um sucesso estrondoso. Quando é que a generalidade dos portugueses, finalmente, vai ter autoestima e orgulho patriótico?

Portugal tem hoje, na política, uma solução governativa singular no contexto europeu, inédita e surpreendente, genericamente positiva, motivo de múltiplos encómios de observadores e diferentes agentes de outras nações. Portugal tem hoje um Presidente da República com uma postura sem precedentes, uma inovação da portugalidade.

No futebol jogado, que o outro continua a crescer no lodo, Portugal, este Portugal de dez milhões de almas, é campeão da Europa, teve três dos melhores jogadores do mundo, um dos quais na actualidade, tem praticantes e treinadores de dimensão universal, tem clubes que assinaram importantes façanhas internacionais.

O nosso país é um dos destinos mais pesquisados e desejados no turismo. Está no pódio da segurança, no topo da gastronomia. Tem um povo afável, acolhedor, recetivo. Tem um clima ameno, uma oferta paisagística diversificada e sedutora.

Não é mesmo a altura dos portugueses serem mais e melhores portugueses? Não é a altura de renunciarem a um traço depressivo secular e observarem o presente e o futuro com mais amor-próprio pelas suas conquistas, pelas suas tradições? Pelas suas virtudes, pelas suas probidades?

A maldosa expressão, tantas vezes repetida, “só neste país”, tem de mudar a sua aceção. Verdade que não é “só neste país”, mas verdade também que muito “só neste país” se quer ser grande com gente que não renuncia à pequenez e desconfia de tudo o que pode constituir realização.

© Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE