OPINIÃO

Abaixo de zero

16 | 05 | 2018   22.52H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

O Presidente da República fala em “vexame”, palavra forte de alguém de quem estamos habituados a ouvir palavras mais bonitas. Mas para Bruno de Carvalho, o presidente do clube que viu os seus jogadores covardemente agredidos por um grupo de criminosos de cara tapada no próprio local de trabalho, o que se passou na terça-feira foi “chato”. Até porque - não vamos entrar em pânico - o crime é “uma coisa do dia-a-dia”, uma coisa normal, comezinha. Afinal, quem nunca levou uma carga de porrada enquanto tentava trabalhar?

Bruno de Carvalho é o presidente do clube. É a pessoa responsável por aquele grupo de trabalho. E falhou ao defendê-los. Falhou ao não lhes garantir a segurança. E mesmo que não tivesse culpa nenhuma no que aconteceu, digamos, mesmo que não tivesse proferido palavras incendiárias, mesmo que não tenha repudiado até ao fim do mundo as tentativas de agressão que os jogadores já tinham sido alvo à chegada do Funchal, mesmo assim, mesmo sem nada disso, devia ter assumido as suas responsabilidades enquanto líder. Porque é assim que um verdadeiro líder lida com uma situação desta gravidade: baixa a cabeça, assume as falhas. Mas Bruno de Carvalho preferiu culpar as autoridades, preferiu relativizar, falar de “normalidade”. Um crime foi cometido, mas Bruno de Carvalho não deixou de olhar para si próprio. Falou até de como a sua mulher e filhas lhe telefonaram, preocupadas, a ele que não estava lá naquele balneário a ser espancado. Li algures que isto era o grau zero do Sporting. Eu acho que é pior que isso: é abaixo de zero.

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