HORA BOLAS

Alarme

20 | 05 | 2018   19.58H
João Malheiro

São mais de cem anos de futebol. Não há memória de semelhante calamidade. Adeptos de um clube, interpretando um cenário bélico, agredirem os seus próprios jogadores, aqueles que tantas vezes idolatraram? E uma selvajaria concertada, uma incivilidade repugnante.

O Sporting não merecia isto, o futebol não merecia isto, Portugal não merecia isto. A barbárie tem de ser punida com severidade, sejam autores materiais ou autores morais. E tem que haver celeridade no processo que chocou o país e que não pode ter réplicas.

O nacional-faz de conta é uma doença perigosíssima. Um clima de absoluta impunidade dos agentes desportivos, durante décadas, está na base deste incidente beluíno. A cultura desportiva, em Portugal, continua num regime adâmico, as autoridades políticas e judiciais parecem medrosas e até cúmplices em tantas circunstâncias.

O momento não é de reflexão, antes de intervenção. Doa a quem doer, custe a quem custar. O futebol nacional, que tantas alegrias tem proporcionado, paradoxalmente vive no lodo, na imundice, no nojo. A responsabilidade primeira é dos dirigentes e de alguns acólitos, alguns chupa-galhetas, que lhes prestam vassalagem e usam a pirotecnia verbal na comunicação social.

“A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”, escreveu Jean-Paul Sartre. Diria que é pior que uma derrota, é mesmo uma tragédia. Mas que tem responsáveis, responsáveis que não podem ser ilibados, que não podem ser preiteados pelas jurisdições, que não podem exercer cargos públicos.

Se eu amo o futebol? Claro que sim. Por isso é que não me canso de exaltar Eusébio, Figo, Cristiano Ronaldo, outros jogadores, também treinadores. Quanto ao resto, com poucas exceções, sem visar estreitezas pessoais, o meu bombarato, o meu total e absoluto desprezo.

© Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE