INSTANTES

Quando passa a ser tarde demais para tudo

04 | 06 | 2018   23.17H
Luisa Castel-Branco

Com o passar da vida, quer queiramos ou não, instalasse dentro de nós uma amargura, uma sensação de que não alcançámos nem metade daquilo que um dia sonhámos, e que tudo o que fizemos passa despercebido.

Olhamos para os lados e vemos os a vida dos outros e sentimos que deveríamos ter feito outras escolhas, ou então, simplesmente, gritado a pelos pulmões todos os sacrifícios que fizemos e nos conduziram até aqui.

Em vez disso, recolhemo-nos num silêncio que é suposto ser bom senso, mas que é apenas uma enorme tristeza interior, uma avalanche de sentimentos que não temos com quem partilhar.

A idade é isto. Somos novos demais para sermos velhos, e velhos demais para sermos novos.

Ficamos então neste limbo, em terra de ninguém em que parece que ninguém espera nada de nós a não ser que continuemos a cumprir obrigações.

Fazemo-lo por amor e com amor. Os netos trazem-nos a luz que nos ilumina, mas muitas e muitas vezes temos vontade de gritar que somos mais do que isto. Que ainda aqui estamos com ideais e sonhos e esperanças.

Mas é tarde demais. Parece ser tarde demais para tudo.

Então colocamos um sorriso de plástico, um silêncio que é de ouro, e tentamos provocar o mínimo de problemas possíveis. Nem que seja tão somente dizendo a nossa opinião.

Porque na verdade, ninguém quer saber o que pensamos, como pensamos.

É isto. Isto e agradecer estarmos vivos. Isto e meter numa caixa escondida bem longe do nosso subconsciente o que sonhamos um dia.

Ah! Eram só sonhos apenas.

Isto é a vida

© Destak

2 comentários

  • «When it becomes too late for everything---------------------------------------- ---------------- With the passing of life, whether we like it or not, it installs within us a bitterness, a feeling that we have not reached half of what we once dreamed, and that everything we have done goes unnoticed. We look sideways and see the lives of others and we feel we should have made other choices, or simply screamed at the lungs of all the sacrifices we have made and brought us here. Instead, we fall into a silence that is supposed to be common sense, but that is just a great inner sorrow, an avalanche of feelings that we have no one to share with. Age is this. We are too young to be old, and too old to be new. We then stand in this limbo, in no man's land where it seems that no one expects anything from us unless we continue to fulfill obligations. We do it for love and with love. The grandchildren bring us the light that illuminates us, but many, many times we feel like shouting that we are more than this. That we are still here with ideals and dreams and hopes. But it's too late. It seems to be too late for everything. Then we put on a plastic smile, a silence that is golden, and try to cause as few problems as possible. Not that it is just saying our opinion. Because, in fact, nobody wants to know what we think, as we think. This is it. This and thank you for being alive. This is to put in a hidden box far from our subconscious what we dream someday.---------------------------------------- -------------------------------------------------- --- Ah! They were just dreams.»
    Ric | 18.06.2018 | 16.11Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Ó mulher, aproveite a vida mulher. Agora que até já há vibradores com comando ao telemóvel, para quê tanta angustia ? Viva a realidade da vida enquanto pode, mulher ! Faça-se à estrada, desculpe, faça-se à vida !!!
    SWNDO | 06.06.2018 | 20.51Hver comentário denunciado
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