OPINIÃO

O dever humanista de acolher os migrantes

19 | 06 | 2018   23.44H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

Portugal é um País de emigrantes. Desde o século XVI que Portugueses partiam em busca de melhores condições de vida, atravessando o oceano para África, Ásia e América Latina, com o Brasil em grande destaque. Nos anos 60 do século XX, o salto foi para França e outros países da Europa. Na recente crise que o país atravessou, milhares de jovens bem formados partiram para o mundo em busca do emprego que não conseguiam aqui.

Temos obrigação de entender aqueles que migram, fugindo à guerra e à fome em busca de melhores condições de vida humana, e com eles estar solidários. Temos a obrigação de acolher bem, e por regra recebemos bem, aqueles que encontram no nosso país as condições de que foram antes privados.

Mas o populismo político e o egoísmo cínico têm levado governantes de alguns países a tratar com desumanidade os migrantes, como aconteceu com a Itália e com os EUA. No caso de Itália, foi chocante o que se passou com os mais de seiscentos migrantes – entre os quais mais de cem crianças – chegados da Líbia. No caso dos Estados Unidos, é vergonhoso separar mais de 2 mil crianças dos pais que não podem ficar no país. Muito bem esteve a Espanha, que, preocupada em proteger os Direitos Humanos, se disponibilizou para receber as pessoas vindas da Líbia.

Nos tempos de hoje, independente das ideologias e cores partidárias de quem governa cada país, importa ter consciência de que acolher aqueles que são obrigados a fugir das suas terras é, acima de tudo, uma questão de humanismo e, em muito menor grau, uma questão de política. Ver qualquer movimento partidário aproveitar-se dos emigrantes para fins políticos, como se tem visto em alguns países da Europa e nos EUA, é algo inqualificável e indigno.

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