COLUNA VERTICAL

A revisitação da direita

10 | 07 | 2018   23.02H
José Luís Seixas
O putativo novo projecto de Santana Lopes tem uma virtude. Impõe uma discussão sobre a natureza e identidade do centro-direita em Portugal. O que, reconheçamos, não é pouco. O artifício político que nos domina, sedimentado na convergência de esquerdas com interesses em si mesmo conflituantes, começa a claudicar. Por seu turno, o PSD oscila entre o bom senso e a insanidade total. O CDS optou pelo pragmatismo em detrimento da definição ideológica que lhe proporcionou no passado respeitabilidade, poder e influência. No meio desta enorme confusão emergem as forças de Juventude que, com grande coragem, repristinam valores e doutrina e, assim, conquistam adesões, simpatias e respeito. Na verdade, esta discussão não se confina ao nosso País. Atinge e envolve a denominada “velha Europa”. Excepcionando Macron - porventura o líder europeu mais consistente e bem preparado - e Merkel - um exemplo de resiliência na defesa dos princípios básicos fundadores da democracia-cristã contra todos - assiste-se ao crescimento do populismo, do nacionalismo, do pior que a direita europeia gerou no passado e que criou tempos de sombra e de tragédia. Por tudo isto, é muito importante olhar para todas as iniciativas – independentemente da legitimidade e ambições dos seus promotores – que contribuam para ressuscitar uma discussão séria sobre a forma de preencher o vazio de uma direita sem norte, perdida entre o pragmatismo resultadista e a exploração à náusea da onda de indignação popular sobre a política e uma classe política manifestamente pouco recomendável. Há alternativas? Há. Basta regressar às origens. A direita em Portugal nunca foi liberal. Sempre se definiu como social-cristã. Defensora do humanismo personalista, da igualdade de oportunidades, da descentralização e defesa de um desenvolvimento nacional integrado, dos mais débeis, da família tradicional e do intransigente respeito pela dignidade de cada homem e de cada mulher, independentemente da sua cor, raça, ideologia e religião! É esse o centro-direita que pode ter sucesso e combater o relativismo moral dominante. E que respeitará as suas raízes e o seu passado. O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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