HORA BOLAS

A França (a)prendeu

16 | 07 | 2018   23.30H
João Malheiro

Há um novo campeão mundial. Venceu o troféu com a inimizade generalizada, muito manifesta (até com expressões de uma xenofobia repugnante) também em Portugal. A França ganhou e ganhou bem. Claro que não esteve ao nível do Brasil de 1970, da Alemanha de 1974, da Itália de 1982, da Espanha de 2010, da própria França de 1998. Triunfou sobre uma distinta Croácia, intérprete de uma boa campanha, mas que não esteve ao nível de Portugal de 1966, da Holanda de 1974, do Brasil de 1982, da Argentina de 1990, da própria Croácia de 1998.

A França, na final, fez quatro (!) golos. Foi sádica, mas não menos inteligente. Foi cruel, mas não menos operativa. Foi impiedosa, mas não menos eficaz. E a Croácia? Teve mais posse, jogou mais bonito, mais exclamativo, mais sedutor? Mas perdeu. Perdeu, porque, no futebol hodierno, as notas artísticas inexistem, as notas da rentabilidade vingam.

O futebol romântico já há muito que dava sinais de agonia. Na Rússia, neste Mundial, terá mesmo morrido. Emergiu o futebol realista, o futebol pragmático. Afinal, aquele que fez de Portugal, há dois anos, campeão da Europa, frente a esta mesma seleção gaulesa.

E essa crítica pateta de uma França multinacional? Então, Portugal? Em 1966, com Eusébio, com Coluna, com Hilário, com Vicente, todos nascidos em território africano. Então, Deco, provavelmente o melhor jogador do mundo por ocasião do Euro 2004? Então, Pepe na atualidade? E jogadores de outras nações, antes e agora, seguramente mais ainda no futuro?

O futebol, nos últimos tempos, mudou muito, mudou tanto. Os adeptos e até alguns comentadores é que não mudaram, não mudaram tanto. As barbaridades não contam, mas já contam juízos iníquos de supostos especialistas. Uma boa prova, uma boa amostra? A França inestética bateu a Croácia poética.

© Destak
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