OPINIÃO

Uma questão de estratégia

18 | 07 | 2018   23.30H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

E acabou-se. Ainda estamos todos em plena ressaca de Mundial, a meter as mãos à cabeça por perceber que só daqui a quatro anos e uns meses voltaremos a pôr o olho na mais importante competição de futebol do planeta, que terminou no domingo com uma curiosa vitória da França.

E digo curiosa não por ter sido uma surpresa. Não sei se a França era um dos três principais favoritos à vitória final, mas estaria num segundo grupo de grandes candidatos. Com o passar da competição, principalmente com a queda precoce de Argentina, Espanha ou Brasil, passou a ser um caso sério. Mas a curiosidade tem que mais ver com a forma como a seleção gaulesa venceu este Mundial, dois anos depois de perder a final do Euro em casa para Portugal.

É possível que daqui a 10, 20 anos, se nos perguntarem por equipas memoráveis que venceram o Mundial, não apareça esta França. Como se calhar não vai aparecer o Euro português. Porque nenhuma das equipas maravilhou com o seu futebol. Mas ganharam e isso é que conta. E a França de Deschamps aprendeu muito com a derrota contra Portugal. E aprendeu aglutinando algumas das características que nos tornaram campeões da Europa: pragmatismo, eficácia, objectividade, primeiro o suor, depois a magia. A estratégia resultou connosco e resultou com eles.

Num Mundial em que não existiram propriamente grande inovações táticas, a riqueza surgiu precisamente na estratégia, na forma como cada equipa encarou cada jogo. Foi assim, por exemplo, que a Bélgica bateu o Brasil, dado a iniciativa ao favorito e matando no contra-ataque. E foi a jogar no erro belga que a França chegou à final. Pode não ser a forma mais bonita de ganhar, mas lá interessante é.

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