OPINIÃO

O Mercado do Bairro de Santos

18 | 07 | 2018   23.32H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
É delicioso rever a reportagem de Fernando Pessa nos arquivos da RTP (disponível online), de 19 de novembro de 1974, relativa aos problemas que afetavam os vendedores do mercado do Bairro de Santos e dos atrasos na construção de um novo mercado por parte da Câmara Municipal de Lisboa. À data, os clientes queixavam-se de estar à chuva e ao sol, apesar de pagarem a fruta e o peixe ao mesmo preço das “praças boas”, e os vendedores queixavam-se de terem mudado de sítio e do facto do novo mercado coberto ainda estar em estudo. O reputado jornalista concluía a reportagem dizendo que a solução para o mercado seria bastante demorada, sem imaginar que demorariam mais 15 anos até que, em 1989, se inaugurava o novo mercado coberto. Quando em 2016 apresentámos o Plano Municipal de Mercados, o Mercado já só contava com uma taxa de ocupação de comerciantes de cerca 35%. A crise económica e a evolução no comércio moderno, em especial com o crescimento da concorrência, atingiram com força os mercados municipais. Quase 30 anos depois da inauguração do Mercado do Bairro de Santos e 44 anos depois da reportagem, começa a segunda vida deste mercado que reabriu a semana passada após obras de reabilitação. Foi feita uma remodelação que implicou a criação de uma elegante cobertura para a nova praça pública onde estão as lojas dos comerciantes que quiseram continuar e dos novos comerciantes que agora se iniciam, com um restaurante cabo-verdiano, uma gelataria, uma lavandaria, um barbeiro e um centro de cópias. Dentro do mercado antigo, remodelado, temos um retalhista moderno – o Minipreço Family – que garantirá mais oferta na zona. E tal como em 1974, os moradores do bairro de Santos desejam e merecem a mesma qualidade de vida de muitos outros bairros da cidade.
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