OPINIÃO

Com comunicados me defendo

05 | 09 | 2018   22.45H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

A acusação surgiu na terça-feira: a SAD do Benfica suspeita de 30 crimes, Paulo Gonçalves, que o clube diz ser um assessor mas que será mais que isso, de 79 crimes. Corrupção ativa, oferta e recebimento indevido de vantagem, falsidade informática. Tudo no processo e-toupeira.

O Benfica reage como sempre tem reagido. Sempre em comunicados muito afrontados e em que se pode ler a falta de calma que por estes dias se viverá na Luz, atira-se ao Ministério Público, diz que a decisão é “absurda e injustificada”, como antes já se atirou a jornalistas, não percebendo a gravidade que é estar sequer envolvido em tal caso. Não se fala nunca do papel de Paulo Gonçalves. Porque está acusado de tantos crimes, em nome de quem os terá feito? Por auto-recriação? Por mera curiosidade? Ninguém será tão ingénuo.

Ninguém a não ser os próprios adeptos do Benfica ouvidos durante as últimas horas: parecem nem sequer colocar em causa que o clube possa estar envolvido no e-toupeira, como se no futebol todos fôssemos santos. Santos, imagine-se, ainda para mais no futebol.

Ninguém acredita que o processo decorrerá de forma lesta, apesar da acusação ter sido anunciada em tempo recorde. Demorará muito até sabermos toda a verdade, mas o que todos temos a certeza é que este é mais um caso terrível para o nosso futebol, terrível para a sua credibilidade, cá dentro e lá fora, porque estas são as notícias que mais rapidamente se espalham.

E enquanto isso o Benfica provavelmente continuará a defender-se em comunicados do cardápio “Benfica contra o Mundo”.

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