HORA BOLAS

O lampião Luisão

30 | 09 | 2018   23.33H
João Malheiro

“Pareces um anão”, li no telemóvel vezes sem conta. “Agora, és o Nelson Ned?”, a mofa ainda era mais requintada. Essas e outras mensagens, bem menos chufas, foram consequência de um prolongado direto televisivo. Corria agosto ou setembro de 2003, descia eu a enorme escadaria do Jamor, onde atuava o Benfica, estava a nova Luz quase pronta para a gala da inauguração.

A meu lado, o novel reforço do clube. Luisão, de seu nome, mas já conhecido por Girafa, tão próximo dos dois metros de altura. Claro que os meus 1.76 (e não 1.74 como aparece no Cartão de Cidadão, que neste país o rigor é só para algumas coisas) tornavam-me numa figura meã, ao pé daquele gigante que Portugal desconhecia.

Os detratores da causa rubra chamam lampiões aos adeptos da maior instituição desportiva nacional. Confesso que até acho graça e jamais reclamo. Sou, orgulhosamente lampião, sinónimo de elevação e de luz, muita luz, muita elevação. Aquela luz e aquela elevação que outros não têm, que mais ninguém tem. Aquela luz e aquela elevação que outros invejam, invejam muito, invejam tanto.

Naquele dia, perante um imenso batalhão de jornalistas, apresentei Luisão. Só estávamos os dois na mesa da sala de imprensa do Estádio Nacional. Às SMS´s trocistas, a resposta, recordo-me bem, foi “não sou anão, mas garanto que contratámos um verdadeiro lampião”. Era, à época, diretor de comunicação e só não digo que também visionário por singeleza.

O lampião Luisão fez quinze anos de Benfica num percurso inusitado no futebol contemporâneo. Tornou-se o mais laureado jogador da história opulenta do clube. E, passe a revelação, é meu amigo e não deixo de o enfatizar. Até por saber que o próprio Luisão gosta que o diga. Ou não fossemos dois lampiões convictos, ainda que pouco ou nada gémeos na estatura física.

© Destak
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