INSTANTES

Pequenas coisas

08 | 10 | 2018   23.06H
Luisa Castel-Branco

Se o nosso olhar sobre o mundo tiver por base as notícias, o manancial de informação que nos chega de todo o lado, estamos condenados a viver os dias entre a tristeza e o sobressalto. Porque não é possível não nos interrogarmos sobre a capacidade para o mal, para a destruição, a ausência total de valores sejam eles quais forem.

Então o melhor, a solução, é sem dúvida olharmos à nossa volta. Da família, aos vizinhos, aos amigos, aos desconhecidos que encontramos no jardim e a quem cumprimentamos sem razão nenhuma.

Claro que todas as famílias têm os seus problemas. Todos os seres humanos têm opiniões e formas de estar que muitas vezes são diferentes dos demais.

Mas haverá algo mais magnifico que o sorriso de um neto, de um filho? Haverá algo que valha mais a pena que a mesa cheia, o barulho por todo o lado, as crianças a correrem e a sujarem a casa, e os elogios aquilo que cozinhamos durante horas?

São pequenas, pequeníssimas coisas, eu sei. Mas são as pequenas coisas que nos enchem a alma e nos dão esperança no futuro.

Aqueles que sabem apreciar estas tais coisas pequenas, a cor estranha de uma flor, a sombra das árvores no chão, que com o vento parecem fadas a dançarem, o chilrear dos pássaros com medo que a mãe não volte e os esqueça no ninho, os velhinhos sentados no banco do jardim de mãos dadas a olharem o nada, tudo isto nos pode e deve encher o coração de esperança, de alegria por estarmos vivos e capazes de sorrir.

O progresso trouxe-nos muitas invenções importantes para a saúde e o bem-estar da humanidade. Mas simultaneamente, afastou os seres humanos muito mais do que os uniu, pelo menos os seres que vivem ao lado, ali tão perto.

Fico profundamente triste quando num qualquer café ou restaurante, vejo os pais darem para as mãos dos filhos jogos eletrónicos. e depois, marido e mulher pegam nos seus respectivos telemóveis e lá vão eles, para esse outro mundo, deixando o seu mundo ao abandono.

Os namorados trocam mensagens, mas não conversam. Já não se diz: amo-te. Já não se olha nos olhos do outro e se sente o coração aos pulos!

Tanta, mas tanta coisa que temos para ensinar aos nossos netos e filho. E a mais importante é sem dúvida fugir deste mundo de mentira e tocar na pele e na alma dos outros!

© Destak
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