HORA BOLAS

Mulher se(quer)

21 | 10 | 2018   22.47H
João Malheiro

O meu querido amigo Baptista-Bastos redigia como poucos, prefaciou-me um livro, atufou-me de orgulho, até de presunção. Escrevia com mestria, a mesma mestria que emprestava à oralidade, essa que contemplava um humor delicioso, fruitivo, cativante. Um dia, não há muito tempo, a propósito da tendencial e massiva presença feminina nos estádios de futebol, atirou “eu sou ateu, mas de tão perfeita a mulher faz-me vacilar; não há ali um toque divino?”.

Há, há mesmo. Ou se não há, parece que há. Não sei o que quis dizer Nietzche com “a mulher foi o segundo erro de Deus”. Mas sei que, também ele, através dessa dissertação, a transporta para o tal supedâneo tocado pela divindade. Já discordo de Charles Chaplin, que não consta ter alguma vez jogado futebol, por enunciar “amo as mulheres, mas não as admiro”. Eu admiro e até adulo e bajulo, ainda que nem sempre ame. A razão? Aqui, socorro-me do escritor satírico francês, George Courteline, para quem “a mulher nunca vê o que se faz por ela, vê apenas o que não se faz”.

É sensato que generalize? Talvez não, mas a vida encarregou-se de me provar que no feminino da coisa mora, tantas vezes, a sedução, mas que também no feminino da coisa mora, tantas vezes, a frustração. “A maior ambição da mulher é despertar o amor”, profetizou Molière. O amor ou, no mínimo, o reparo. Acrescento sem reservas.

Já escrevi que abomino (ou talvez descarte) mulheres com cio socialmente chupista, da mesma forma que abomino (mais do que descarto) homens com pio impositivamente papista. Termino esta viagem com John Lennon e “a mulher é a escrava dos escravos; se ela tenta ser livre, tu dizes que não te ama; se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem”. Eu, um tanto selectivamente, convido-a para ir à bola. Pode ser à gola, mas jogo sempre com carola.

© Destak
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