HORA BOLAS

Lisboa a gripar

04 | 11 | 2018   16.36H
João Malheiro

A sentença pesou, pesou muito. Foi há anos, alguns anos. Em uníssono, adeptos do FC Porto, testemunhados pelo líder do clube, gritaram “nós só queremos Lisboa a arder”. Expressão do mais reles provincianismo, por essa e por outras é que o crónico campeão nacional, exceptuando o último quinquénio, jamais conseguiu alargar a sua base geográfica de apoio. Para gáudio desses portistas, nos dias que correm, Lisboa não está a arder, mas está gripada, excessivamente gripada, tantos são os lenços exibidos nos seus dois maiores anfiteatros desportivos.

O Sporting passou por uma tormenta sem paralelo, foi o caos absoluto. De regresso, pelo menos aparente, à normalidade, eis que o presidente eleito encontrou, no timing errado, a vacina contra a gripe da impaciência, ao despedir José Peseiro. Cometeu uma enorme injustiça, indiciando que vai ser comandado de fora para dentro ou, pior ainda, que muda de prescrição com a mesma facilidade com que muda de fato.

No Benfica, o presidente, também no timing errado, concedeu uma entrevista que o hipotecou em várias matérias. O dossiê Vitória foi mal contado e o compromisso que assumiu também mal opinado. Dirigiu-se a Simões de forma mais implacável do que aos clubes rivais que desencadearam uma campanha sem precedentes contra o Benfica, ainda que responsáveis e colaboradores da instituição rubra se tenham e continuem a colocar-se a jeito.

Com o séquito incompetente a bajulá-lo, Vieira foi ainda mais longe, horas depois, prometendo o título europeu, como se fosse a mesma coisa que prometer mais uma dúzia de novas infraestruturas no Seixal ou em Oeiras. Não é ele quem diz que “o Benfica tem dez anos de avanço” em relação à concorrência? A gripe, no caso do Benfica, tem a receita da lastimável fuga para a frente. Ou para o precipício?

© Destak
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