OPINIÃO

Keizer, uma opção de risco

14 | 11 | 2018   22.41H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

Ponto prévio, o meu título é ligeiramente lapalissiano, na medida em que qualquer escolha que um clube faça para a sua equipa técnica é quase sempre uma opção de risco. As variáveis do sucesso são mais que muitas e o objetivo, quando se contrata, também passa por minimizar o impacto negativo das mesmas.

Tudo isto a propósito da contratação de Marcel Keizer para técnico principal do Sporting, opção que, nessas contas das variáveis, parece ligeiramente arriscada. Sobre o tema, li há dias um interessante texto no Sapo Desporto, uma conversa com um jornalista holandês que revelava a perplexidade com que se recebeu na Holanda a notícia da contratação de Keizer para treinar um dos melhores clubes de Portugal. A escola holandesa de jogadores e treinadores já foi reconhecidamente uma das melhores do Mundo, mas há muito que vive em crise. A seleção holandesa não foi às duas últimas grandes competições (Euro’2016 e Mundial’2018) e por isso, no país, já existe a opinião conformista que a escola portuguesa está, por estes dias, num patamar superior.

A escolha de um técnico holandês parece assim, estranha. Marcel Keizer tem a seu favor o trabalho feito com jovens na academia do Ajax e uma mentalidade atacante, de futebol atrativo, aquilo que Frederico Varandas quer. Mas só isso não chega no futebol atual. O campeonato holandês, sabe-se, pode ser rudimentar nos processos defensivos e monótono em termos táticos e quase todos os treinadores são formados na mesma matriz. E precisa de tempo, coisa que Keizer não terá muito, entrando assim com o comboio já em movimento. Uma opção arriscada, mas para confirmar nos próximos meses.

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