HORA BOLAS

Portugal amachucado

18 | 11 | 2018   22.45H
João Malheiro

A expressão é essa, essa mesmo, é só neste país. É só neste país para isto, é só neste país para aquilo, é só neste país para tudo ou é só neste país para quase tudo. Tudo ou quase tudo o que acham menos bom, talvez doloso, talvez pérfido. É só neste país ou uma espécie de sentença, de máxima, proferida, amiúde, pelo cidadão comum.

E, afinal, qual é este país? O mesmo que tem as mais antigas fronteiras da Europa. O mesmo que é território, geográfica e sentimentalmente, uno e insusceptível de viver movimentações apátridas ou fracionistas. O mesmo que ensinou o mundo a fazer uma revolução democrática sem gota de sangue. O mesmo que, na actualidade, é um dos destinos turísticos mais apreciados à escala internacional. O mesmo que está no topo das nações mais tranquilas e pacíficas da Europa, numa altura em que a insegurança e o terrorismo atormentam pessoas das mais diferentes latitudes.

Este país, este Portugal, tem uma história secular arrebatante. Este país, este Portugal, desfrui de uma beleza natural cativante. Este país, este Portugal, goza de um clima prazenteiro. Este país, este Portugal, tem a melhor gastronomia ecuménica. Este país, este Portugal, tem mão de obra invejável, porque competente. Este país, este Portugal, tem cabeça pensante, porque fecunda. Este país, este Portugal, com apenas uma dezena de milhões, sabe edificar empreendimentos majestosos. Este país, este Portugal, consegue partejar, na cultura física, nas letras e noutras expressões, individualidades ou coletivos que ficam no galarim universal.

É só neste país trata-se de uma expressão imprópria, ingrata, cruel. Vociferada até à exaustão, reflete descabido complexo de pequenez e absurda falta de autoestima. É só neste país, temos todos de convir, que se diz é só neste país.

© Destak
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