COLUNA VERTICAL

A “chicuelina” da Ministra

20 | 11 | 2018   17.01H
José Luís Seixas

A Ministra da Cultura conseguiu fazer uma garbosa «chicuelina» na discussão do Orçamento. A proposta do Governo, que tantas e tantas reservas nas opções e na credibilidade concita e tanta controvérsia deveria convocar, subsumiu-se a uma lide sobre conceitos de civilização a propósito das touradas. Não relativamente à sua taxação, matéria que poderia estar, embora marginalmente, em causa. Mas sobre a natureza do espectáculo e respectiva licitude. Enfim, sobre saber se constitui um acto cultural ou a uma demonstração de barbárie, como tal ofensiva dos mais elementares valores civilizacionais hodiernos.

A Ministra, jurista e socióloga (de acordo com o seu CV), objecto de homenagens e vibrantes e laudatórias saudações pela assunção pública da sua homossexualidade que, porventura através dela, se vê erigida ao Governo da Nação, caiu onde nunca poderia cair. Em vez de defender o tratamento igual dos espectáculos ao ar livre, onde incluía as touradas, não. Parte para considerações morais e éticas. Que o Primeiro-Ministro hipocritamente replica. Mau caminho este o do totalitarismo e o da intolerância. Que conduz a anacronismos tão gritantes como a proibição legislativa da eutanásia animal e a concomitante consagração da eutanásia humana. Ou a criminalização do abandono dos animais e a indiferença relativamente ao abandono dos velhos.

Este mundo, realmente, não é o meu. Para mim as pessoas são pessoas. Animais são animais. Todos merecedores de respeito. Mas um pai velho é um pai velho e um cão é um cão. Peço desculpa, mas não me encaixo no novo normativo de uma sociedade que me parece cada vez mais doente!

O autor escreve segundo a antiga ortografia.

© Destak
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