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OPINIÃO

Acabar com o poder impune

21 | 11 | 2018   18.51H
Lídia Paralta | destak@destak.pt

Lendo a acusação do Ministério Público para o caso da invasão à Academia de Alcochete, não é difícil entender o porquê de Bruno de Carvalho não ter ficado em prisão preventiva após quatro noites detido: não há qualquer mensagem ou prova direta que coloque o ex-presidente do Sporting como mandante das agressões. Essa será talvez a mais “noticiosa” das conclusões que se podem tirar do documento, mas há muito mais a analisar. Confesso que me impressionaram as trocas de mensagens recolhidas pela investigação em que membros da Juve Leo preparam o ataque. Impressiona que uma série de maus resultados e a antipatia por este ou outro jogador leve a reações tão extremas, ao gizar de um plano que envolve gente crescida e com idade para ter juízo mas também miúdos, de 18, 19, 20 anos, que já vêm nas claques uma qualquer forma de chegar a um poder impune que culmina naquilo que aconteceu na academia do Sporting.

As mensagens mostram que os acontecimentos não se “descontrolaram”, narrativa que os acusados tentaram vender: o grupo ia preparado para para atacar. Havia até ordens específicas, de quem fica com quem, de quem leva o quê. Não era um plano feito a régua e esquadro, mas era um plano e era um plano violento, de gente irada por causa de futebol, disposta a bater em outros seres humanos por causa de um jogo.

Haverá ali uns mais culpados que outros, poderá haver até inocentes. Cabe à justiça definir quem é quem nesta história e agir em conformidade. E por conformidade leia-se a dar o exemplo: agora, com os papéis na mão, conseguimos perceber melhor como funciona a mente destes adeptos e não convém desvalorizar nem um bocadinho a violência do discurso.

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