INSTANTES

Futuro incerto

03 | 12 | 2018   23.06H
Luisa Castel-Branco
Sabem bem estes dias frios e com sol. Fazem-nos recordar tempos idos em que cada estação do ano tinha a sua vinda certa, o seu tempo certo. Hoje, olhando para trás, vejo o conforto que isto trazia. Porque é bom saber o que ai vem, o que nos esperava. Mas tudo mudou e as estações do ano tornaram-se tão incertas e irreais como tudo o resto. Há vários anos que a primavera desapareceu, o outono também e nos últimos anos o natal tem sido quente, transformando-se em algo que não sabemos bem como reagir. Tal como quase tudo o resto que perfaz a nossa vida. As relações humanas transformaram-se tanto que temos necessidade de reaprender os códigos de conduto, aquilo que esperar dos outros, e aquilo que esperam de nós. Para os mais jovens, que só conheceram um mundo assim, tudo é normal. Mas tenho pena deles, digo-vos sinceramente. A precaridade não é só no trabalho, é principalmente nas relações humanas. Vivem numa necessidade de prazer imediato e isto aplica-se a tudo. São filhos de uma geração que lhes quis facilitar a vida, que lhes deu o que não tinha e com sacrifício, que os encheu de mimos e adjetivou o futuro como algo a que tinham direito, sem lhes explicar a necessidade de lutar, de trabalhar, de tantas e tantas vezes, ter que percorrer uma estrada longa e difícil até alcançarem os seus objectivos. O resultado é uma revolta surda. Uma consternação perante a vida de quem não sabe que além de direitos também tem deveres. Assusta-me pensar o que vai ser a relação destes jovens com os pais, quando estes necessitarem de apoio. Claro que há muitos factores positivos: a consciência da defesa do planeta, da defesa dos seus ideais, a consciência do apoio a causas socais. Mas quem os defende deles mesmos? Quem lhes explica que o amor dá trabalho? Que a família é e continuará a ser o fundamento da civilização ocidental? Isto quando por todos os lados são bombardeados com mensagens exactamente opostas. Tudo é normal. Tudo é permitido desde que seja feito em nome do amor. Está à vista onde isso os levou até agora. E o futuro é assustador
© Destak
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