INSTANTES

O tempo que voa

07 | 01 | 2019   20.12H
Luisa Castel-Branco
Quando o ano termina, deitamos contas à vida, ao que alcançámos, aquilo em que falhámos, o que ficou por fazer. E quase sempre projetamos os próximos 365 dias, com uma enorme lista mental que sabemos que não vamos conseguir alcançar. Engraçado, a idade muda-nos também a perspetiva do futuro, e aquilo que ambicionamos. Talvez porque a realidade é bem mais pesada, talvez porque perdemos pelo caminho a capacidade de sonhar. O que mais desejamos é paz. Saúde para os nossos. E um contentamento que nos embale os dias, sem solavancos, sem crises, sem termos que dizer adeus a mais alguém. Como se o universo tivesse tempos diferentes para cada um de nós. O tempo que voa para os nossos netos, mas que se queixam que é tão lento porque nunca mais são adultos, o tempo dos adultos que começam o seu caminho e acreditam possuir todo o tempo do mundo, e depois o tempo para os mais velhos. Os dias passam num piscar de olhos e de repente olhamos para nós mesmo e não nos reconhecemos. É o corpo que não nos acompanha, é a alma que pesa da tristeza que esconde, é a solidão que nos rodeia mesmo quando estamos com alguém. No final, a grande lição da vida é compreendermos que nunca estamos satisfeitos ou temos a noção da imensa gratidão que devemos agradecer ao final de cada dia.
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