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HORA BOLAS

Na caravana da monotonia

20 | 01 | 2019   18.52H
João Malheiro

Qual é a hierarquia de valores na pauta classificativa da I Liga? FC Porto, Benfica, Braga e Sporting. Qual é o quadro competitivo para as semifinais da Taça de Portugal? Os mesmos FC Porto, Benfica, Braga e Sporting. Qual é o cenário programado da final four da Taça da Liga? Os mesmíssimos FC Porto, Benfica, Braga e Sporting.

O comboio do futebol nacional nitidiza, esta temporada, as quatro primeiras carruagens. É no Campeonato e nas duas réplicas possíveis. Surpresa? Assombro? Nada disso, antes a confirmação da longínqua uniformidade da bola lusitana, só que em termos absolutos, imperais mesmo, dos três mais cotados emblemas, a que se soma um Braga no prolongamento da melhor década do seu historial. E os outros? Os outros concorrentes? Nas grandes decisões constituem-se meros figurantes, a mais não almejando do que ao quinto posto na pirâmide das emoções e a uma ou outra episódica surpresa nos mediáticos e muito despedidos retângulos da redonda.

Portugal é campeão da Europa, mas não consegue, intramuros, nivelar a competição. Se o faz é por baixo, nunca por cima. Nem um FC Porto intervencionado pela UEFA, nem um Benfica adurido por quezílias múltiplas, nem um Sporting traumatizado por um horripilante Alcochete se deixam escoriar na tradicional vocação hegemónica. Apenas um Braga, cada vez mais eficaz na identidade que vem cimentando, aparece como suscetível de replicar a velha ordem do nosso futebol.

FC Porto, Benfica, Sporting e Braga são o sopro de competência. Em Portugal e, mais remotamente, na Europa, onde a soberania do dinheiro concede poucas ou nenhumas veleidades ao nosso melhor quarteto. Só que também há, de produção exclusiva, Cristiano Ronaldo e outros mais, jogadores ou treinadores, para mitigar a unissonância e aquentar a alma.

© Destak
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