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COLUNA VERTICAL

Onde chegámos...!!!

22 | 01 | 2019   23.06H
José Luís Seixas
A reportagem de Ana Leal sobre supostas “terapias de reconversão da homossexualidade” constituiu um brutal atentado às regras do jornalismo de investigação. Este não compreende a devassa nem o desrespeito por direitos fundamentais. Criar um personagem com um discurso de inquietação que, na lógica da narrativa, justificaria o recurso a um padre católico e a uma psicóloga, tendo com ambos conversas gravadas através de câmaras ocultas (no caso da psicóloga com a exibição da sua imagem), configura a violação de princípios deontológicos e constitui até a prática de um delito criminal. Dias depois, a mesma jornalista e a mesma estação de televisão exibem cenas de uma enorme violência entre duas personalidades públicas à porta da casa de uma sobre a entrega de um filho de ambas, pondo em directo um outro filho de 15 anos a comentar o comportamento da mãe. O próprio Sindicato dos Jornalistas veio a terreiro censurando esta peça de um inqualificável vouyerismo. Vimos ainda a perseguição a Armando Vara com um enxame de jornalistas no seu encalço tentando captar a imagem da sua entrada na prisão. Uma ignominiosa ofensa ao princípio básico do respeito pela dignidade da pessoa humana que ninguém, culpado ou inocente, livre ou recluso, pode perder. Ainda há dois dias a forma acrítica e sensacionalista como foram cobertos os acontecimentos no Bairro da Jamaica e cujas consequências já foram visíveis e sentidas com a violência a dominar a Baixa de Lisboa. Três casos entre muitos e muitos outros. À honrosa excepção da RTP, as televisões transformam-se em tabloides sem qualquer pudor. Percebemos que a crise é grande. Mas percebemos também que vivemos tempos em que tudo vale e em que nos sentimos alienígenas atenta a plácida serenidade como tudo isto é observado… O autor escreve segundo a antiga ortografia
© Destak
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