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OPINIÃO

O populismo e o risco da falta de memória

30 | 01 | 2019   00.03H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

Auschwitz assinalou, a 27 de janeiro, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Uma efeméride criada pelas Nações Unidas para recordar os cerca de seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazi. “Estima-se que daqui a dez anos já não haja sobreviventes para contar a história de uma das maiores atrocidades que já ocorreram no mundo. Por isso, mais do que nunca, é nosso dever manter estas memórias vivas”, lia-se numa publicação do Museu do Holocausto no Twitter, a 25 de janeiro.

A propósito desta efeméride, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, descreveu a atual ascensão da extrema-direita como uma ameaça à cultura da memória. Destacou, ainda, os números alarmantes de uma investigação recente que revela que 40 por cento dos jovens alemães afirmam não saber "quase nada" sobre o Holocausto. Recordar um dos momentos mais negros da história da Humanidade é crucial para que a história nunca se repita. Mas não suficiente.

À boleia da descrença das populações nos partidos e nos políticos, crescem por toda a Europa, e em outros continentes, partidos e movimentos populistas – sejam de esquerda ou de direita – e de perigosa inspiração extremista. Como se sabe, aliás, estas forças têm já ganho protagonismo e assento em países como a França, com Marine Le Pen, a Holanda, com o Partido da Liberdade, ou até a vizinha Espanha, com a entrada do Vox, de extrema-direita, no Parlamento. Já o caso do Brasil daria para outro texto…

Em Portugal já tivemos algumas tentativas, felizmente com pouco sucesso, mas assiste-se de novo à chegada de um partido assumidamente populista ao cenário político. À crise da democracia junta-se uma memória coletiva perigosamente curta e o aproveitamento de quem tudo quer menos a Liberdade. Estejamos atentos.

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