HORA BOLAS

Detido pela TVI

03 | 02 | 2019   22.40H
João Malheiro

Foi uma inédita manhã de domingo. Degustava o pequeno-almoço caseiro, quando procedi a um gesto de rotina, espreitar mensagens no telefone e notificações no computador. “Foste preso, é mesmo verdade?”, foi a primeira que li, enviada por uma amiga que até nem vive em Portugal. Fiquei banzo, fiquei espaventado. Li e reli. Li outras mais. Li e só sorri, quando li a notícia num site da TVI.

Então não é que um cidadão, de nome João Malheiro, foi detido pela GNR, após ter sido visto ao lado de Pedro Santana Lopes, na recente visita que o líder do Partido Aliança fez ao Bairro da Jamaica, no município do Seixal? Esse João Malheiro, de 46 anos (esclareço que tenho 58), vendedor de carros (esclareço que sou jornalista e autor), está indiciado de violência doméstica (esclareço que não estou indiciado de coisa nenhuma), encontrando-se obrigado ao uso de pulseira eletrónica (esclareço que não uso anéis, muito menos pulseiras).

A confusão, que espero se dissipe, resulta do facto de ser um homónimo meu. Nem preciso de esclarecer que não me revejo na matriz ideológica da nova formação política liderada por Santana Lopes, mesmo tendo com a pessoa em causa um relacionamento cordial.

Já para minha serenidade, o árbitro de futebol João Malheiro Pinto faz-se tratar pelos três nomes, empachando eventuais confusões, o que não obsta a que receba, amiudadas vezes, alertas do Google, sobre matérias que a ele respeitam, podendo o juiz do futebol queixar-se do mesmo, sempre que sou notícia.

Atente-se que, ainda antes de Cristo, já Aristóteles escrevia “o menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito”, enquanto Virgílio sustentava “nada se espalha com maior rapidez do que um boato”. Espero, sem ser indiciado ou detido, ter matado o abjecto murmurejo ainda no seu berço.

© Destak
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