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OPINIÃO

O que tem o telemóvel a ver com a empatia?

05 | 03 | 2019   22.33H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

O jornal Público publicou recentemente um artigo em que entrevista um neuropsiquiatra – intitulado «Os ecrãs impedem os jovens de desenvolver empatia. E as sociedades tornam-se brutais» – que me levou a algumas divagações que agora partilho. Decerto, todos já se depararam, num restaurante, com os pais a entreterem os bebés com os telemóveis. É um sinal dos tempos, a invasão da tecnologia em todos os interstícios da nossa existência…

Mas o que parece inofensivo à partida pode ter consequências graves, como vem afirmar este especialista, para a criação e o desenvolvimento da empatia, sobretudo nos mais jovens. E a empatia é importante? Parece-me fundamental, como elemento de ligação entre as pessoas, como premissa da possibilidade de estabelecermos uma comunicação significativa com o outro. Ao que parece, este elemento fundamental do nosso modo de vida gregário enquanto sociedade é afetado, suspenso e retardado pelo facto de ficarmos horas intermináveis a olhar para um ecrã de telemóvel (como acontece maioritariamente com os adolescentes de todo o mundo), ao invés de estabelecermos pontos de contacto com os outros na vida real.

Sem empatia, as sociedades tendem a recair na violência e na brutalidade, diz-nos este especialista. Na entrevista, conta-nos um episódio confrangedor em que um adolescente se ri com o telemóvel na mão enquanto as pessoas ao seu lado choram, no hospital, a morte de um ente querido. É certo que as ocupações profissionais dos pais impossibilitam-nos de passar tempo de qualidade com os filhos, que se viram para as redes sociais e para o mundo digital, onde a identidade como premissa da empatia se dissolve em interações desumanizadas e efémeras. Por isso mesmo, é urgente começar a educar os mais jovens a olharem à sua volta. No mundo real.

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