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HORA BOLAS

A bola também chora

10 | 03 | 2019   23.12H
João Malheiro

Foi um desfile súbito. Súbito e medonho. No curto espaço de um mês, despediram-se da vida quatro antigos futebolistas, quatro amigos, quatro intérpretes de esticadas etapas de convivência bonita. Fernando Peres, Frederico, António Mendes e Vítor Campos subtraíram um quinhão considerável no meu cosmo dos afetos, dos regozijos, dos prazeres.

Peres, um dos melhores jogadores da história do Sporting, foi mesmo o único português a sagrar-se campeão nacional no Brasil. Presença assídua nas minhas festas de aniversário, recordo quão sublimes foram as suas narrativas de bola superior, naquela Minicopa, em 72, altura em que o combinado luso era conhecido por Sport Lisboa e Peres, tal o peso de representantes do Benfica (12 na convocatória), que culminou na final, em pleno Maracanã, perante o então campeão mundial.

Frederico foi dos melhores seres humanos que alguma vez conheci. Justifica que se sublinhem os seus predicados futebolísticos, sendo mesmo o melhor central lusitano na transição das décadas de 80 e 90, mas ainda mais a sua postura na vida, pautada por uma generosidade comovente.

António Mendes, que se notabilizou no Vitória de Guimarães, chegando até a representar o Benfica na era de Eusébio ou Coluna, tinha um humor fantástico, soberano. Alcunhado de Pé Canhão, já que chutava quase à velocidade da luz, utilizava o agnome, em tertúlias infindáveis, para fazer reinar a boa disposição.

Vítor Campos, internacional da Académica de Coimbra, esteve ligado àquela que foi a mais arrebatante fase da Briosa. Médico, cidadão exemplar, solidário até à exaustão, lembro aqui uma viagem que fizemos à cidade do México, já no decurso de implantada e fortalecida relação de amizade.

Que mais dizer? Talvez que, impiedosamente, o coração da bola, às vezes, também pára.

© Destak
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