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INSTANTES

Medo da morte

18 | 03 | 2019   23.17H
Luisa Castel-Branco

Antigamente, nascia-se, vivia-se e morria-se em casa.

Muita gente nunca chegou sequer a sair do local onde nasceu. A vida era outra, os tempos eram outros.

Com a vinda para a cidade na procura de melhor vida, as aldeias foram ficando desabitadas, e as cidades foram crescendo.

Mas havia muitos hábitos e formas de viver que desapareceram.

Dantes, a convivência com a morte fazia-se de forma natural. Não com menos sofrimento, mas sendo algo que temos todos por certo, havia uma normalidade no crescimento e envelhecimento dos membros da família.

Hoje em dia, nas cidades, ou se tem muito dinheiro, ou total disponibilidade de tempo, ou é impossível deixar os nossos idosos morrerem no seu lar.

Para as crianças e mesmo os adolescentes, a privação dessa história de vida que nos traz as rugas, as doenças e o fim do caminho, retirou-lhes muito que lhes faz falta e fará ao longo da vida.

Os mais velhos são descartáveis. Não sabem nada daquilo que eles acham fundamental, o mundo da internet, o mundo das múltiplas invenções.

Mas também já ninguém tem tempo para lhes contar as histórias, as lendas que enchem e preenchem aquilo que somos como país.

Morre pouco a pouco a tradição oral, os mistérios partilhados, as fabulas e tantas coisas mais.

É o preço do progresso? Ou será apenas um desenvolvimento mal estruturado que vamos mais tarde pagar o preço?

Temos medo da morte e é normal. Mas antes ela fazia parte da vida da comunidade, hoje é algo frio e solitário.

© Destak

1 comentário

  • ....ai...ai.....Luisa.........a culpa é da "lata-de-chouriços".......eu depois explico......!!!!
    Blexit | 20.03.2019 | 19.37Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
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