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COLUNA VERTICAL

Onde pára a notícia

19 | 03 | 2019   17.43H
José Luís Seixas
O excelente artigo de Miguel Sousa Tavares publicado na última edição do Expresso punha o dedo na ferida. E permite-nos ir um pouco mais longe no que a Portugal respeita. Efectivamente, os órgãos tradicionais de comunicação social foram suplantados pela voracidade das redes sociais. Os jornais definham numa lenta agonia e acabam por fechar. A publicidade não os sustenta, as compras menos ainda e a qualidade do jornalismo praticado vai-se vulgarizando numa última tentativa de sobrevivência. Aliás, os grandes jornalistas socorrem-se de outras valências para subsistirem e as redacções são infestadas por jovens estagiários de baixo custo e elevada obediência. A Controlinveste de Joaquim Oliveira, depois de Proença de Carvalho e hoje de chineses, desenhou este quadro de exterminação com graves responsabilidades próprias, cumprindo agendas de interesses de grupos económicos e indiferentes ao dever de informar com rigor e verdade. Depois, a crise chegou às televisões generalistas, com telejornais feitos de sensacionalismo, de pouca reflexão e de nenhuma mediação entre a notícia e o telespectador. Crime, escândalos, futebol e uns laivos de comentário de quando em vez. Em termos de programação, todas mergulharam na mesma receita como se patenteia nos programas de domingo. Conteúdos abjectos, com a inacreditável qualificação de “experiências sociais”, em que os ratos de laboratório, necessariamente pagos, são elas e eles, nus ou vestidos, acolitados pelas progenitoras ou por conhecidos, que se vendem como gado nas feiras. Ou futebol. Não o jogado mas o comentado em termos tão baixos e soezes que só a boçalidade de uns e a latente agressividade de outros admitem e consentem. Perante isto, há que concluir que também as televisões não aguentarão esta luta com as redes sociais. Porque as copiam e delas se não diferenciam. Porque aproveitam e exploram o desinteresse e a apatia geral de um povo que prefere ignorar a razão de ser das coisas e admitir a imbecilidade com que o tratam. Porque, na realidade, estamos mesmo mergulhados numa decadência civilizacional que não é nova e, como a História recorda, é sempre percursora do pior! O autor escreve segundo a antiga ortografia
© Destak
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