HORA BOLAS

Mulher de aluguer

24 | 03 | 2019   16.57H
João Malheiro

Pesquisas recentes, no âmbito de um trabalho sobre futebol, levaram-me a uma incursão na vertente feminina daquela que é, insuspeitamente, a modalidade desportiva mais popular em Portugal e no Mundo. Para quem viveu ainda o tempo daquele pacóvio “futebol é para homens”, perceber uma nova realidade vale a maior exultação.

Hoje, não são apenas as bancadas dos estádios que beneficiam da estimulante e sedutora presença das mulheres, quase em paridade com o outro género, cresce também de forma impetuosa o número de praticantes, inclusive o interesse mediático. Até em termos competitivos, muito no futsal, mas de forma progressiva no futebol de onze, Portugal exibe credenciais dignas de apreço.

Desde a prodigiosa década de 60 do século passado que a emancipação da mulher começou a operar a maior revolução jamais vista, ao cabo de séculos infindos de sujeição resignada aos desígnios de uma sociedade assente em pilares machistas que pareciam inamovíveis. No nosso país, com a implantação da democracia, o movimento libertador feminino beneficiou de enorme incremento e prossegue numa cruzada que aponta para o sucesso.

Neste contexto, o homem vive o período mais embaraçado da sua existência, perdido ou machucado o comando. E há mulheres que, na ânsia legítima de conquistar a igualdade, não se afirmam pelo lado feminil, antes procuram imitar o homem naquilo que sempre teve de mais censurável.

Mas pior, bem pior, são aqueles repugnantes programas televisivos, nesta altura no ar em canais generalistas, atentados à condição feminina e à afirmação da mulher numa sociedade igualitária. Estão fora de tempo, apenas fazem prova que uns minutos de fama podem valer mais que o melhor ideário. Absolvidas, com favor, as inocentes úteis, trata-se de extensões decadentes e deprimentes.

© Destak
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