OPINIÃO

Se os rios não fazem pensar em nada…

26 | 03 | 2019   16.30H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

“O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele”, dizia Alberto Caeiro, quando numa bucólica poesia comparava o rio da sua aldeia ao grande Tejo. Os rios atravessam os campos, as aldeias, as vilas e as cidades e cruzam, também, as nossas vidas, tendo sido, como todos sabem, fundamentais na sobrevivência da humanidade. A nossa civilização é oriunda de um pequeno espaço entre dois importantes rios, o Tigre e o Eufrates, a Mesopotâmia.

Na escola, há algumas décadas, recitava-se a lista de rios portugueses de cor: Minho, Lima, Cávado, Ave, Douro, Guadiana, e por aí fora... Ai de quem não soubesse a ladainha dos rios na ponta da língua, que logo provocava a ira da professora! Aos fins-de-semana, a família unida organizava longas e alegres pescarias à beira dos rios mais próximos. Imagino que alguns ainda realizem este ritual. Artistas famosos, ao longo dos séculos, representaram a beleza dos espelhos de água que são os rios. Van Gogh, Monet, Pissarro, apenas para nomear alguns. O seu poder económico e estratégico é tão grande que estiveram na origem de desentendimentos e guerras entre tribos e países e das eternas zangas de compadres pela posse da água.

Se os rios não fazem pensar em nada, como dizia o poeta, é porque eles são a materialização do nosso próprio pensamento em movimento, fluindo sem parar. Eles são água, energia e mobilidade. Eles são trabalho e descanso. São geografia e política. São elementos fundamentais da economia local e nacional. São capazes de marcar a identidade dos territórios e motivo de orgulho para as comunidades. Não há aqui espaço suficiente para listar todas as razões que me fazem afirmar que os rios, mais do que nunca, precisam da nossa proteção. Concorda comigo, caro leitor?

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